Lá vem o génio! Como gostar de um livro cujo autor diz que é incomparável?
Já todos nos cruzámos com um desses escritores que, antes mesmo de lermos a primeira página, já estão a anunciar que a obra é “incomparável” ou “um verdadeiro marco”. Em Cabo Verde, até sentimos um certo orgulho dessa confiança, mas... será que o ego do autor não está a ofuscar o brilho da própria história?
É normal os criadores se entusiasmarem com o próprio trabalho, mas como leitores, estamos aqui pela história – e não pelo pedestal onde o autor se coloca! Afinal, um livro deve falar por si. Se o enredo nos prende, se as personagens nos fazem sentir, então é porque a obra vale a pena, independentemente das declarações ousadas de quem a escreveu.
A dica é simples: não deixe que a arrogância apague a curiosidade. Experimente ler com mente aberta, e aproveite a história por ela mesma. Quem sabe, até se surpreenda e acabe a gostar da “obra-prima” que o autor anunciou – mas pelos seus próprios motivos, e não pelos avisos do próprio génio.
Ler é um prazer que cada um vive à sua maneira. E, no final, o que importa é o que o livro significa para si, e não o que o autor quis que significasse